VERSÍCULOS DO DIA!!!

VERSÍCULOS DO DIA!!!

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A serpente

vez um caçador passava por uma mina quando viu uma serpente presa sob uma pedra enorme.

Ao vê-lo a serpente pediu:

– Por favor, ajude-me.

Levante a pedra.

– Não posso ajudar você, pois vai me devorar com certeza – respondeu o caçador.

O réptil tornou a pedir ajuda, prometendo ao homem que não o comeria.

Ele então libertou a serpente, que logo fez um movimento em sua direção como se fosse atacá-lo.

– Você não prometeu que não me comeria se a ajudasse? – perguntou o homem.

– Fome é fome – respondeu-lhe a serpente.

-Mas – disse o caçador – se você faz alguma coisa errada que tem a fome a ver com isso?

O homem então sugeriu que submetessem o assunto à opinião de outros.

Entraram no bosque, onde encontraram um cachorro.

Perguntaram-lhe se achava que a serpente devia comer o homem.

– Uma vez pertenci a um homem – disse o cão.

– Ele caçava lebres e sempre me dava a melhor carne para comer.

Agora que estou velho, e nem posso apanhar uma tartaruga, ele quer me matar.

Assim como recebi mal em troca de bem, a serpente deveria fazer a mesma coisa.

Declaro que ela deveria comer você.

-Você ouviu sua sentença – disse a serpente ao homem.

Decidiram porém que ouviriam três opiniões e não apenas uma, e seguiram adiante.

Pouco depois encontraram um cavalo e lhe pediram que julgasse o caso.

– Acho que a serpente deveria comer o homem – disse o cavalo, e continuou:

– Certa vez tive um amo.

Ele me alimentou enquanto eu podia viajar.

Agora que estou fraco, e não posso executar minhas tarefas, ele quer me matar.

– Já temos dois juízos unânimes – disse a serpente.

Um pouco mais adiante cruzaram com uma raposa.

– Cara amiga – disse o caçador, – preciso da sua ajuda.

Estava passando por uma pedreira quando vi esta enorme serpente às portas da morte, presa sobre uma rocha.

Pediu-me que a libertasse; fiz o que pedia, e agora ela quer me comer.

– Se devo dar minha opinião – respondeu a raposa, – voltemos ao lugar do ocorrido para analisar a situação de modo mais real.

Voltaram a pedreira, e a raposa, para reconstituir os fatos, pediu que a pedra fosse colocada em cima da serpente. Assim foi feito.

– Era assim que você estava?- perguntou a raposa.

– Sim – respondeu a serpente.

– Muito bem – disse a raposa.


– Ficará assim pelo resto da vida.

Chegando ao destino

Durante anos, nas suas sessões de meditação, o mestre observou a presença de um jovem que nada falava e que parecia indiferente a tudo.

Certa noite, o jovem chegou um pouco mais cedo e ao encontrar o mestre sozinho aproximou-se dele, interpelando-o:

– Mestre, há muitos anos venho ao seu centro de meditação e tenho reparado no grande número de monges e freiras ao seu redor e no número ainda maior de leigos, homens e mulheres.

Alguns deles alcançaram plenamente a realização.

Qualquer um pode comprovar isso.

Outros experimentaram certa mudança em sua vida.

Também hoje são pessoas mais livres.

Mas, senhor, também noto que há um grande número de pessoas, entre as quais me incluo, que permanecem como eram ou que talvez estejam até pior.

Não mudaram nada, ou não mudaram para melhor.

Por que há de ser assim, mestre?

Por que o senhor não usa do seu poder e do seu amor para libertar a todos?

O mestre sorriu e perguntou:

– De que cidade você vem?

– Eu venho de Rajagaha, mestre, a trezentos quilômetros daqui.

– Você ainda tem parentes ou negócios nessa cidade?

– Sim, mestre.

Tenho parentes, amigos e ainda mantenho negócios em Rajagaha, de modo que frequentemente vou para lá.

– Então, meu jovem, você deve conhecer muito bem o caminho para essa cidade.

– Sim, mestre, eu o conheço perfeitamente.

Diria que até com os olhos vendados eu poderia achar o caminho para Rajagaha, tantas vezes o percorri.

– Deve, então, acontecer de algumas pessoas às vezes o procurarem, pedindo-lhe que lhes explique o caminho,até lá.

Quando isso ocorre, você esconde alguma coisa delas ou explica-lhes claramente o caminho?

– O que haveria para esconder, mestre?

Eu lhes explico claramente o caminho, de maneira a não deixar nenhuma dúvida.

– E essas pessoas às quais você dá explicações tão claras… todas elas chegam à cidade?

– Como poderiam, mestre?

Somente aquelas que percorrem o caminho até o fim é que chegam a Rajagaha.

– É exatamente isso que quero lhe explicar, meu jovem.

As pessoas vêm a mim sabendo que sou alguém que já percorreu o caminho e que o conhece bem.

Elas vêm a mim e perguntam:

“Qual é o caminho para a realização”?

E o que há para esconder?

Eu lhes explico claramente o caminho.

Se alguém simplesmente abana a cabeça e diz “Ah, um lindo caminho, mas não me darei ao trabalho de percorrê-lo”, como essa pessoa pode chegar ao seu destino?

Eu não carrego ninguém nos ombros.

Ninguém pode carregar ninguém nos ombros até o seu destino.

No máximo, é possível dizer:

“Este é o caminho e é assim que eu o percorro.

Se você também trabalhar, se também caminhar, certamente atingirá o seu destino”.

Mas cada pessoa deve percorrer o caminho por si, sentir cada um dos seus passos.

Quem deu um passo está um passo mais próximo.

Quem deu cem passos está cem passos mais próximo.

Mas você tem que percorrer o caminho por si só.


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