Um menino fazia muitas coisas erradas ele bagunçava demais.
Era um menino sem disciplina, levado, mas, ele não fazia as
coisas com maldade, fazia porque era arteiro mesmo.
E às vezes as coisas que ele fazia prejudicava as outras
pessoas, prejudicava os seus irmãos, sua família.
E ele dava muito desgosto a seus pais, tão pequeno, e já
dava muito trabalho.
Um dia o pai dele que já estava cansado de lhe bater e não
adiantar nada pegou o menino logo após ele ter feito uma coisa muito errada, e
o levou até o fundo do quintal em um quartinho que ele usava como oficina, e
lhe disse:
– Meu filho vem aqui! – e o menino foi, pensando que ia
apanhar, e seu pai continuou
– Está vendo aquela tábua bonita, envernizada?
E seu filho desconfiado respondeu:
– Estou vendo sim.
Por quê?
– Pega aquela tábua e traz aqui.
Vamos fazer o seguinte meu filho.
Está tábua irá representar você.
Agora vamos colocar nesta tábua um prego para cada coisa
errada que você já fez.
E o menino achou aquilo engraçado, e seu pai disse mais:
– Me dê o martelo e os pregos, pega aqueles maiores, os
pregos grandes.
– E o menino trouxe os pregos
– Lembra aquela vez que você matou um passarinho?
Aquele canário que eu tinha na gaiola, e você o matou com
seu estilingue?
O menino ficou triste, e disse:
– Lembro pai.
E o pai pegou o prego encostou na tábua novinha envernizada.
Pá, pá, pá, pá!
E cravou aquele prego até o fim.
E o menino ficou olhando.
– Meu filho.
Lembra aquela vez que você saiu com o mesmo estilingue
estourando as lâmpadas dos postes nas ruas?
– Lembro pai.
– Quantas lâmpadas você quebrou?
– Ah pai, mais de trinta.
– Me dá trinta pregos aqui.
E colocou um por um dos trinta pregos sobre a madeira
envernizada e foi batendo.
Pá, pá, pá, pá!
E o menino olhando fixamente para a tábua que foi ficando
cheia de pregos.
– Meu filho.
Lembra aquela vez que você pulou o muro da casa do vizinho
pra pegar goiaba no pé.
E você pisou na horta do homem e destruiu todo o alface e
almejarão que ele tinha plantado, pra roubar uma goiaba.
E o vizinho veio furioso reclamar de você.
Lembra meu filho?
– Lembro pai.
Quantas goiabas você roubou?
– Três.
– E quantos pés de alface você acha que destruiu?
– Ah, acho que uns dez.
– Me dá treze pregos aí.
E o pai pegou os treze pregos.
Pá, pá, pá.
Aquilo que parecia uma brincadeira, logo foi se tornando uma
coisa trágica para o menino.
Porque aquela tábua que estava aplanada, envernizada,
bonita, brilhante, que representava ele mesmo, começou a ficar tão cheia de
pregos, que cada vez que o martelo batia pá, pá, pá, aquilo batia também em seu
coração.
E assim, o pai foi perguntando para o filho todas as coisas
erradas que ele se lembrava, e foi batendo aqueles pregos, e eram tantos
pregos, que o menino ficou muito triste, ficou arrasado, aquilo doeu mais que
uma surra de cordão de ferro, doeu mais que uma surra de varas. Seu pai
percebendo sua tristeza disse:
– Meu filho, vamos combinar uma coisa?
A partir de hoje por cada coisa boa que você fizer, nós
vamos tirar um prego daqui.
Ta bom?
E o menino concordou.
No dia seguinte ele chegou correndo da escola e foi contar
as novidades a seu pai:
– Pai hoje a professora me elogiou, porque eu me comportei
bem na sala de aula!
– Ah que bom meu filho, vamos lá no fundo.
E o pai pegou o martelo e puxou um dos pregos, e o menino
ficou contente, sentiu um alivio.
No dia seguinte o menino chamou o seu pai e disse:
– Pai hoje eu ajudei uma senhora a carregar uma sacola
pesada!
– Ótimo meu filho!
E eles foram lá no quartinho e arrancaram mais um prego.
E por cada coisa boa que ele fazia o pai dele tirava um
prego.
E assim foi, o menino todo dia fazendo uma coisa boa, e seu
pai por cada boa obra que seu filho fazia ele arrancava um prego.
Porém, quando saiu o último prego o menino não ficou
satisfeito.
Aquela tábua envernizada, bonita não era mais uma tábua
bela.
Agora era uma tábua toda esburacada, toda machucada.
E seu pai lhe disse:
– Pois é meu filho, o que você quer que eu faça.
É assim mesmo, sempre ficam as marcas.
Sempre! E essas marcas dos pregos representam a sua culpa, e
sempre vai ficar ai.
Aquela lição marcou profundamente aquele menino que foi
crescendo, se tornando um moço, um homem.
Mas, ele não conseguia esquecer aquela tábua toda perfurada,
e o que seu pai lhe havia dito:
“Aqueles furos representam a sua culpa!”
E ele se atormentava, não tinha paz.
A consciência dele estava sempre pesada, não tinha sossego
dentro da sua alma, ele carregava aquela mágoa, quando pensava em si mesmo só
enxergava aquela tábua, que antes era bonita e agora estava toda perfurada.
Um dia aquele moço, agora já adulto, arrasado, achando que a
vida dele por melhor que ele fizesse, nunca iria valer a pena.
Ele achava que ele era ruim na sua própria natureza no seu
interior, e carregava aquela culpa.
Passando em frente de uma igreja cristã ele ouviu os cânticos,
e pensou
“Vou entrar um pouquinho”.
E dentro daquela igreja havia um pregador muito simples,
mas, apesar da simplicidade daquele pregador, o homem estava com um livro
poderoso nas mãos, um livro chamado Evangelho.
E a parte que o pregador lia, é aquela que está escrita na
carta de Paulo aos Hebreus 8.12, que diz assim: “Porque serei misericordioso
para com suas iniquidades,
E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei
mais.”
Aquele assunto o interessou, despertou o moço, e o pregador
releu o texto: “Porque [Eu, o Senhor Deus] serei misericordioso para com suas
iniquidades,
E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei
mais.”
E o pregador foi desenvolvendo o texto explicando a mensagem
dizendo:
– Nós fomos criados perfeitos pelo Senhor Deus, sem culpa,
sem pecado.
Mas as nossas atitudes, as nossas transgressões, mancharam
nossa alma, feriram-na.
Nessa hora veio na mente do moço a imagem da tábua toda
perfurada, e o pregador dizia:
– Ainda que você decida se tornar uma boa pessoa, consertar
os seus erros, fica ali a culpa.
E o moço se lembrou do que seu pai tinha dito: “Esses furos
na tábua são as culpas que ficarão”, ele se lembrou, e foi entendendo.
Parecia que o pregador conhecia toda a sua vida.
Aquele moço ficou arrepiado, ele nunca tinha falado com
aquele pregador, nunca tinha entrado naquela igreja.
E aquele pregador humilde falava de um jeito que parecia
falar diretamente com ele, de uma maneira que ele nunca tinha sentido antes.
E o pregador continuou:
– Não adianta você querer consertar sua vida com boas obras.
E o moço se lembrou de que ele se esforçou para ser um bom
rapaz, um bom filho.
Mas, apesar de todo o seu esforço ele continuava infeliz.
– Todo homem, toda mulher quer se livrar da culpa.
E pra se livrar da culpa a pessoa precisa comparecer diante
da luz, e têm que ter comunhão com aqueles que andam na luz.
O pregador então abriu a Bíblia na primeira carta que o
apóstolo João escreveu (1.7) e leu para as pessoas que estavam na igreja, sem
saber que falava tão diretamente com o coração daquele moço.
– “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica
de todo o pecado.”
O Senhor Jesus não tinha pecado algum.
Ele estava com a sua alma limpa e perfeita.
Mas nós, o colocamos na
madeira e pegamos um martelo e pregos enormes – e o moço se lembrou da
sua infância quando seu pai lhe pediu os pregos, o martelo e a tábua, o moço
sentiu que era com ele aquela mensagem, e o pregador falava com veemência – e
cravamos Jesus naquela cruz, seu sangue foi derramado, seu sangue foi vertido
para nos purificar do pecado.
Matamos o Filho de Deus, mas Ele ressuscitou dos mortos.
A cruz está lá, mas a cruz está vazia.
Jesus Cristo está vivo, e todos que andarem com Jesus e
permanecerem com aqueles que andam na luz terão paz, terão comunhão uns com os
outros “e o sangue de Jesus Cristo seu Filho nos purifica de todo o pecado”.
Quando o pregador terminou de falar o moço estava chorando,
e o pregador disse mais:
– Quem quer apagar para sempre os seus pecados entregando a
sua vida para Jesus Cristo?
O pregador nem acabou de falar e o moço já estava com a mão
levantada, com lágrimas nos olhos dizendo:
– Eu quero! Eu quero!
Ele foi o primeiro a ir à frente, e depois de receber a
oração do pastor ele se levantou e sentiu que a sua alma estava purificada de
todo pecado.
Não havia mais culpa, remorso, nem condenação.
“Porque o sangue de Jesus Cristo seu Filho nos purifica de
todo o pecado”.
Fonte: autoria Juanribe Pagliarin
