Boa leitura... por Cezar Andrade Marques de Azevedo
“E Jesus, andando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos – Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes:
Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram.” (Mt 4:18-20)
Alguém disse que se não temos uma agenda, somos a agenda do outro. Por outro lado temos os que advogam a tese que nenhuma agenda pode, na verdade, ser elaborada por causa da imprevisibilidade dos eventos. Autoridades, por sua vez, têm maior facilidade para agendarem seus compromissos por causa da burocracia que regem seus atos. A verdade é que temos uma agenda genérica e uma específica. A genérica nos permite dar sentido aos nossos dias, a específica depende da complexidade de nossa agenda genérica.
Um exemplo de agenda genérica diz respeito as condicionantes básicas de nossa vida. Quem afirma não ter como organizar seu dia por causa da imprevisibilidade dos eventos, precisa reconhecer sua agenda genérica. O médico, o advogado, o engenheiro, no exercício de sua profissão, tem esta profissão como sua agenda genérica. Este mesmo princípio serve para toda e qualquer profissão. O empregado ou o empregador também tem sua agenda formada pelo trabalho que realiza, pela empresa que possui. Não se imagina o empregado da empresa A, trabalhando na empresa B como também não é viável o empresário estocar mercadorias alheia ao seu negócio, ele estaria se descapitalizando.
Pedro era pescador. Sua agenda genérica lhe colocava no mar, lançando rede para tirar seu sustento. Foi no mar da Galiléia que Jesus encontrou-se com Pedro e seu irmão André. Seria um absurdo no horário de expediente que o pescador fosse encontrado no balcão do mercadinho vendendo alimento. O pescador tem sua esfera de atuação o mar, seu patrimônio o barco e seu instrumento de trabalho a rede. Ele pode não saber o que aquele dia lhe reserva, mas sabe onde deve estar para ser surpreendido pelos eventos do dia. Foi neste cenário que Pedro e André foram chamados por Jesus Cristo para segui-lo.
Mesmo quem diz não possuir nenhuma agenda, tem uma genérica. Este é o seu lugar no sol, sua função no corpo. Assim como o corpo tem muitos membros e cada um cumpre uma função específica, do mesmo modo o indivíduo tem uma aptidão, talento, serviço, dom ou profissão definido. Ainda que ele mude de trabalho continuamente, quando está em dado serviço, este é sua agenda genérica, que dá sentido a todas as outras coisas.
Quando Jesus chamou Pedro e André, mudou sua agenda genérica. Disse a eles que daquele momento em diante haveria uma mudança de metas, eles seriam pescadores de homens. É notável verificar que a função básica destes homens não foi modificada, eles continuavam pescadores. Mudava, contudo, a meta deles, ao invés de pescar peixe, agora seria pescado homens. A Bíblia relata que quando Pedro e André ouviram este convite, imediatamente deixaram as redes e seguiram ao Senhor.
Devemos observar que eles não deixaram o seu patrimônio, o barco. Num sentido ainda mais profundo, na verdade este patrimônio não era exatamente o barco, mas o conhecimento da arte da pesca. Eles deixaram, por esta razão, nao a arte de pescar, mas as redes, que era o instrumento de seu trabalho. Se eles tivessem deixado o seu patrimônio teriam necessariamente que mudar de profissão. Neste caso eles não seriam mais pescadores, mas caçadores ou padeiros. Como eles deixaram o instrumento, continuando com o patrimônio, um novo instrumento para a consecução de seu trabalho seria necessário. Neste caso o instrumento, por assim dizer, deixou de ser a rede para ser um homem: Jesus Cristo. Eles deixaram a rede para seguir Jesus Cristo.
Há um milagre realizado pelo Senhor Jesus que aconteceu em duas faces que retratam esta mudança de perspectiva. Certa feita trouxeram a Jesus um cego para que fosse curado. Estes homens pediram especificamente que o Senhor tocasse aquele cego, a cura não podia, no entendimento deles, ser processada mediante uma ordem, precisava do toque de Jesus. O Senhor, em atendimento ao pleito que lhe fora feito, levou o cego até um lugar ermo, fora da aldeia, cuspiu-lhe nos olhos e lhe impôs as mãos, perguntando se o cego agora estava vendo. Ao que o cego lhe respondeu:
“Estou vendo os homens; porque como árvores os vejo andando” (Mc 8:24)
Eu lhe perguntaria: você já viu uma árvore andando? Árvore tem raiz, está fincada no solo. No máximo o vento pode balançar seus ramos ao ponto de dar a impressão que ela vai ser deslocada de seu lugar. Ela se inclina para um lado, para o outro, mas permanece no seu próprio ambiente. Ademais, homem em nada é parecido com uma árvore. Esta semelhança só seria possível se esta árvore tivesse sido talhada por um escultor. Todavia há uma maneira dos homens serem confundidos como árvores, quando eles são vistos como sendo instrumento de trabalho, assim como a rede do pescador. Este é o tipo de percepção usualmente desenvolvida em ambiente de trabalho, onde o valor de cada pessoa é auferido por aquilo que ela faz. Findo sua ação, o homem que executou a tarefa perde completamente o seu valor. O salário é a evidência deste tipo de avaliação, ele é pago para nada mais reclamar acerca do que fez, seu trabalho foi comprado, este é o seu valor para a empresa.
Na condição de pescador, baseado no princípio que rege o trabalho, Pedro poderia ver somente rede e peixe, não tendo importância alguma o ser humano. É assim que as pessoas têm percebido umas as outras, por conta de sua condição financeira, pelo cargo que o ocupa, pela riqueza que produz, pela posição social que se encontra, conforme atesta o sábio Salomão:
“O pobre é odiado até pelo seu vizinho; mas os amigos dos ricos são muitos” (Pv 14:20)
O chamado do Senhor Jesus para Pedro e André podia não lhe dar uma agenda específica, tipo receita de bolo, mostrado passo a passo o que eles deveriam fazer, mas lhe deu uma agenda genérica bem definida, de hora em diante na vida destes dois pescadores o ser humano haveria de ter importância: eles seriam pescadores de homens, não mais de peixe.
Este convite do Senhor Jesus está na essência de quem é Deus, pois Deus é amor e importa que todo aquele que se diz conhecer Deus ame o seu semelhante. E é a relação com o nosso semelhante que afeta a elaboração de nossa agenda espeífica. Se nós observarmos bem, não somos capazes de definirmos uma agenda específica, quando registramos o que faríamos a cada hora do dia, exatamente porque não somos capazes de prever o que os outros farão em relação a nós. Nós não temos agenda específica porque não podemos prever que pessoa entrará em contato conosco. Não temos uma agenda específica porque nos relacionamos com pessoas. Não temos agenda específica porque interagimos umas com as outras e cada escolha que cada um faz afeta a escolha do outro, num processo contínuo.
Jesus não nos chama para uma agenda específica, nos chama para O seguirmos. Sabemos apenas de uma coisa. Qualquer que seja esta agenda específica para a qual fomos chamados, ela nos fará interagir com o ser humano. Homens não são árvores ambulantes, não são objetos descartáveis, homens são feitos a imagem e semelhança de Deus, homens valem mais que o mundo todo.
A chamada do Senhor Jesus para conosco muda completamente o foco de nossas preocupações. Se antes estávamos interessados apenas em rede e peixes, agora nosso foco é o Senhor Jesus e os homens. Como o Senhor sabe de nossa resistência para lidarmos com homens, Ele próprio se colocou como nosso referencial. Somos chamados para segui-lo e, por meio dele mudaremos completamente nossa perspectiva em relação as pessoas e as coisas que nos cercam. Depois do Senhor tocar o cego pela segunda vez, sua percepção em relação não só aos homens, mas acerca de tudo o mais foram modificadas:
“Então tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos; e ele, olhando atentamente, ficou restabelecido, pois já via nitidamente todas as coisas.” (Mc 8:25).
Desejo a vc. com todo o meu carinho um lindo dia na presença do SENHOR...
Darlyn
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sexta-feira, 7 de abril de 2017
DEVOCIONAL- Seguir Jesus é ter agenda
Postado por Bárbara Helena
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