O que se pode perceber é que o modelo de cristianismo que Jesus nos
deixou consiste em se aproximar cada vez mais do próximo. Como fazer para se
aproximar cada vez mais do próximo? Tomando algumas atitudes.
1. Vença o preconceito (vv. 31-33)
"...um sacerdote, quando viu o homem, passou pelo outro lado. E
assim também um levita; (...), mas certo samaritano, (...) compadeceu-se dele.
”
O sacerdote evitou qualquer possibilidade de contato e, com isso, deixou
o homem onde estava, no seu sofrimento e na sua necessidade.
Coisa semelhante aconteceu quando um levita passou pelo local. Ele também
era um personagem religioso de quem se poderia esperar um certo interesse em
ajudar um homem em tamanha necessidade. Mas ele era uma pessoa interessada em
questões de pureza, semelhantemente ao sacerdote. Por isso achou melhor não se
envolver e também passou longe.
O efeito de Jesus ao introduzir o samaritano na história foi devastador.
Tendo em vista a amargura tradicional entre os judeus e os samaritanos - porque
este era tido como alguém pertencente a um povo mestiço, tanto física (Mateus
10:5) quanto espiritualmente (João 4:20-22) - um samaritano era a última pessoa
de quem se poderia esperar socorro. Assim sendo, é significativo que a pessoa
elogiada por Cristo não tenha sido nem o líder religioso, nem o levita, porém
um odiado estrangeiro que, apesar de não ser bem quisto pelos judeus e até
sofrer preconceitos pelo seu sangue "meio-gentio”, não titubeou em prestar
auxílio ao necessitado.
O fato é que quando você tem atitudes preconceituosas, está demonstrando
que o poder de Cristo pode até ser muito grande, mas não o suficiente para
romper as barreiras do preconceito existentes em sua vida.
Alguma vez você já negligenciou ajuda, oração ou amor a alguma pessoa,
por alimentar em seu coração o mínimo de preconceito contra ela? Lembre-se que
aquilo que nos une em Cristo deve estar acima de todo e qualquer tipo de
preconceito, seja ele qual for: racial, social, cultural, sexual ou religioso.
Além de não ser preconceituoso, é necessário que você:
2. Exerça compaixão (v. 33)
"Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou lhe perto e,
vendo-o, compadeceu-se dele. ”
Ter compaixão ou piedade é bem diferente de ter dó de alguém, pois quando
você tem compaixão ou piedade, você se coloca no lugar do seu próximo e
compreende que o que ocorreu com ele poderia também ter acontecido com você.
Desse modo, a sua forma de olhar para ele é de igual para igual, sem soberba
alguma. Todavia, ao sentir dó de uma pessoa, você se coloca acima dela, se
julgando, sem motivo algum, superior a esta, e o seu olhar para ela é de cima
para baixo, com soberba e prepotência, como se o que tivesse ocorrido com ela
jamais ocorreria com você.
O que fez o samaritano quando avistou o homem agonizante na estrada?
Jesus disse que ele se compadeceu do que estava ferido. Há outra versão da
Bíblia que diz que o samaritano "teve piedade dele” (NVI). Em outras
palavras, seu coração comoveu-se diante do homem ferido, por isso, ofereceu o
melhor atendimento que podia no próprio local. A vítima estava fraca demais
para andar, de modo que o samaritano o colocou sobre o seu animal – o que deve
significar que ele mesmo passou a ir a pé – e assim o levou a uma hospedaria.
Aquele que exerceu compaixão não considerou seu dever completado antes de
colocar o homem machucado num abrigo seguro, a fim de que este fosse
restabelecido.
Tal como vencer o preconceito, a compaixão é um sentimento que demanda
uma decisão tomada no coração, a qual é demonstrada na prática e não somente em
forma de palavras. Jesus teve compaixão das multidões, porque estavam aflitas e
desamparadas, como ovelhas sem pastor e para comprovar, com atitudes, o seu
sentimento, pediu aos discípulos que rogassem a Deus para que ele enviasse
pessoas para cuidar das multidões (Mateus 9:36-38). Como você tem demonstrado
compaixão para com o próximo? Somente com palavras, ou seja, apenas na teoria?
A compaixão só virá depois que o seu coração estiver livre do
preconceito. Daí então, é preciso que você:
3. Estenda a mão (vv. 34-36)
"Aproximou-se, enfaixou lhe as feridas, derramando nelas vinho e
óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levando-o para uma
hospedaria e cuidou dele...”
Você já se sentiu angustiado diante de um problema ou de um incidente?
Então sabe perfeitamente como o samaritano se sentiu diante do judeu ferido.
Seu coração comoveu-se, e ele tomou uma atitude.
O homem continuou sua bondade mesmo após ter ido embora; deu ao
hospedeiro dois denários pela conta e ainda mandou que cuidasse do ferido. E
isto não era tudo, pois qualquer coisa que o proprietário da hospedaria
gastasse a mais, o samaritano o indenizaria na sua volta. Este sim é um exemplo
atraente – o qual devemos seguir - de um homem que faz mais do que o mínimo.
Ele viu uma pessoa necessitada e fez tudo quanto lhe era possível.
Diante desta reflexão, percebe-se que é possível estar próximo de Deus e distante
do próximo e próximo do próximo, mas distante de Deus. O que precisa ficar
claro em nossas mentes é que a nossa aproximação de Deus deve também nos
aproximar do próximo, pois aquele que nos aproximou pagou um preço
infinitamente elevado e eliminou todas as barreiras que nos mantinham
distantes, para que tal aproximação fosse possível, independente das
diferenças. Portanto, o que te impede de aproximar-se do próximo?
Aproxime-se do próximo e jamais afaste-se dele!
Pastor Renato (1ª Igreja Ev. Irmãos Menonitas do Jabaquara

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