A vida do rei Davi não poderia ter sido melhor. Ele havia acabado de ser coroado.A sala onde fica seu trono cheira à tinta fresca e o arquiteto de sua cidade está projetando novos bairros. A arca de Deus habita no tabernáculo; ouro e prata transbordam nos cofres do rei; os inimigos de Israel mantêm-se à distância. Os dias de Saul, prostrado, são uma lembrança distante.
Mas algo desperta uma dessas lembranças. Um comentário, talvez, ressuscita uma velha conversa. Talvez um rosto familiar balance em sinal de negativo diante de uma decisão com data marcada para acontecer. Em meio à sua nova vida, Davi lembra-se de uma promessa de seus tempos antigos: "Resta ainda alguém da família de Saul a quem eu possa mostrar lealdade, por causa de minha amizade com Jônatas?" (2 Samuel 9:1).
Confusão é o que se vê no rosto da corte de Davi. Por que se preocupar com os filhos de Saul? Esse é um novo tempo, essa é uma nova administração. Quem se importa com a velha guarda? Davi. Ele se importa porque se lembra do acordo que fez com Jônatas. Quando Saul ameaçou matar Davi, Jônatas tentou salvá-lo. Jônatas conseguiu fazê-lo e depois fez este pedido: "Se eu continuar vivo, seja leal comigo, com a lealdade do SENHOR; mas se eu morrer, jamais deixe de ser leal com a minha família" (1 Samuel 20:14,15).
Jônatas morre. Mas o acordo de Davi não. Ninguém teria pensado duas vezes antes de deixá-lo para trás. Davi tem muitas razões para se esquecer da promessa que fez a Jônatas.
Os dois eram jovens e idealistas. Quem cumpre as promessas de juventude?
Saul era cruel e impiedoso. Quem honra os filhos de um sujeito vingativo?
Davi tem uma nação para governar e um exército para liderar. Que rei tem tempo para coisas pequenas?
Mas, para Davi, um acordo não é uma coisa pequena. Quando listar os gigantes que Davi enfrentou, esteja certo de que a palavra promessa não foi cortada e faz parte da pequena lista. Ela certamente aparece em grande parte das listas de desafios pelo monte Everest.
O marido de uma esposa deprimida conhece o desafio de uma promessa. Enquanto ela se vê diariamente em meio a uma sombra de tristeza, ele se pergunta sobre o que teria acontecido com a garota com quem se casou .Você consegue cumprir uma promessa em um momento como esse?
A esposa de um marido que a trai faz a mesma pergunta. Ele está de volta. Arrependido. Ela está magoada. Ela se pergunta: Ele quebrou sua promessa... Devo manter a minha?
Pais têm feito a mesma pergunta. Pais de filhos pródigos. Pais de filhos que fogem. Pais de filhos deficientes e incapacitados.
Até pais de crianças saudáveis têm se perguntado como manter uma promessa. Os momentos da lua-de-mel e as noites tranqüilas ficam enterrados sob uma pilha de fraldas sujas e noites curtas.
Promessas. Comprometidas entre flores de primavera. Cobradas no tempo cinzento do inverno. Elas aparecem em nossa vida liliputiana feito um gigante Gulliver. Nunca escapamos de suas sombras. Davi, ao que parece, não tentou escapar.
Promessas. Comprometidas entre flores de primavera. Cobradas no tempo cinzento do inverno.
Encontrar um descendente de Jônatas não era fácil. Ninguém que pertencia ao círculo de Davi conhecia um. Conselheiros mandaram chamar Ziba, um antigo servo de Saul. Será que ele conhecia um membro ainda vivo da família de Saul? Dê uma boa olhada na resposta de Ziba: "Ainda há um filho de Jônatas, aleijado dos pés" (2 Samuel 9:3).
Ziba não menciona nenhum nome, só diz que o menino é aleijado. Percebemos um repúdio levemente disfarçado em suas palavras: "Cuidado, Davi. Ele não — como diria você? — cai bem no palácio.Você podia pensar duas vezes antes de cumprir essa promessa."
Ziba não dá detalhes sobre o menino, mas o quarto capítulo de 2 Samuel os apresenta. A pessoa em questão é o filho de Jônatas, Mefibosete. (Que nomes incríveis! Você está precisando de nomes para seus nenês? Experimente Ziba e Mefibosete. Eles vão se destacar na escola.)
Quando Mefibosete tinha cinco anos, seu pai e seu avô morreram nas mãos dos filisteus. Conhecendo a brutalidade dos filisteus, a família de Saul foi para as montanhas. A ama de Mefibosete apanhou-o e fugiu, depois tropeçou e deixou-o cair, quebrando ele os dois tornozelos, o que o deixou irremediavelmente manco. Servos fugitivos carregaram-no na travessia do rio Jordão até uma vila inóspita chamada Lo-Debar. O nome significa "sem pasto". Imagine uma cidade com um trailer tombado, arrendado por um preço ridículo, jogado no meio de um deserto. Mefibosete escondeu-se ali, primeiro porque estava com medo dos filisteus, depois porque teve medo de Davi.
Junte os tristes detalhes da vida de Mefibosete:
§ nasceu como herdeiro legítimo do trono;
§ foi vitimado por uma queda;
§ foi deixado, impossibilitado de andar, em uma cidade estranha;
§ lá vivia sob a ameaça de morte.
Vitimado. Excluído. Incapacitado. Inculto.
"Tem certeza?", insinua a resposta de Ziba. "Tem certeza de que você quer gente como esse menino em seu palácio?"
Davi tem certeza.
Servos estacionam uma enorme limusine do outro lado do rio Jordão e batem à porta da cabana. Explicam por que estão ali, colocam Mefibosete dentro do carro e levam-no para o palácio. O menino imagina o pior. Ele vai ao encontro de Davi com o entusiasmo de um presidiário no corredor da morte, entrando na sala em que receberá uma injeção letal.
O menino prostra-se e pergunta:
"Quem é o teu servo, para que te preocupes com um cão morto como eu?"
Então o rei convocou Ziba e disse-lhe: "Devolvi ao neto de Saul, seu senhor, tudo o que pertencia a ele e à família dele... Mefibosete comerá sempre à minha mesa" (9:8-10).
Em tempo menor que o necessário para pronunciar Mefibosete duas vezes, o menino é promovido de Lo-Debar para a mesa do rei. Adeus, anonimato. Olá, realeza e palácio real. Observe: Davi poderia ter enviado dinheiro para Lo-Debar. Teria, generosamente, cumprido sua promessa com uma pensão anual vitalícia. Mas Davi deu mais do que uma pensão para Mefibosete; ele lhe deu um lugar — um lugar à mesa do rei.
Observe atentamente o retrato de família pendurado sobre a lareira de Davi; você verá o sorriso largo no diploma do Colégio de Lo-Debar. Davi está sentado no trono, no centro, rodeado de muitas esposas. Bem em frente ao belo e bronzeado Absalão, à direita da incrível beleza de Tamar, na fileira do estudioso Salomão, você verá Mefibosete, neto de Saul, filho de Jônatas, apoiando-se em suas muletas e sorrindo como se tivesse acabado de ganhar na loteria de Jerusalém.
E isso não deixa de ser verdade. A criança que não tinha pernas para sustentar-se tem tudo para viver. Por quê? Por que impressionou Davi? Convenceu Davi? Coagiu Davi? Não. Mefibosete não fez nada. Uma promessa motivou Davi. O rei é bom, não porque o menino esteja merecendo, mas porque a promessa é eterna.
Para ter outra prova, acompanhe a vida de Mefibosete. Ele acomoda-se no baluarte e desaparece das Escrituras por 15 anos ou algo em torno disso. Reaparece em meio ao drama da rebelião de Absalão.
Absalão, um filho rebelde, força Davi a fugir de Jerusalém. Envergonhado, o rei escapa com alguns amigos fiéis. Adivinhe quem está entre eles? Mefibosete? Pensei que você acharia também. Mas não é. É Ziba. Ziba diz para Davi que Mefibosete ficou do lado do inimigo. A história desenrola-se, Absalão perece e Davi volta para Jerusalém, onde Mefibosete dá ao rei outra versão da história. Ele encontra-se com Davi sem estar com a barba aparada e com roupas sujas. Segundo ele, Ziba abandonou-o em Jerusalém e não o colocou em um cavalo para que pudesse viajar.
Quem está dizendo a verdade? Ziba ou Mefibosete? Um está mentindo. Qual deles? Não sabemos. Não sabemos porque Davi nunca pergunta. Ele nunca pergunta, porque não importa. Se Mefibosete diz a verdade, ele fica. Se mente, ele fica. Seu lugar no palácio depende, não de seu comportamento, mas da promessa de Davi.
Por quê? Por que Davi é tão leal? E como? Como Davi é tão leal?
Deus é o exemplo a ser seguido em termos do cumprimento de acordos.
Mefibosete não traz nada e leva muito. De onde Davi tirou tal decisão? Se pudéssemos perguntar para Davi como ele venceu o gigante da promessa, ele nos tiraria de sua história e nos levaria à história de Deus. Deus é o exemplo a ser seguido em termos do cumprimento de acordos.
Como disse Moisés aos israelitas:
Saibam, portanto, que o SENHOR, o seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel, que mantém a aliança e a bondade por mil gerações daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos (Deuteronômio 7:9).
Deus faz e nunca quebra suas promessas. O termo hebraico para pacto, beriyth, significa "um acordo solene de peso obrigatório".1 Seu pacto irrevogável corre como um fio vermelho pelo tapete das Escrituras. Você lembra-se de sua promessa a Noé?
Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra". E Deus prosseguiu: "Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras: o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra (Gênesis 9:11-13).
Todo arco-íris nos faz lembrar do pacto de Deus. Curiosamente, astronautas que viram os arco-íris do espaço sideral contam que eles formam um círculo completo.2 As promessas de Deus, de igual modo, não se quebram e não têm fim.
Abraão pode falar de promessas. Deus disse ao patriarca que contar as estrelas e contar seus descendentes seriam dois desafios idênticos.
O pacto irrevogável de Deus corre como um fio vermelho pelo tapete das Escrituras.
Para garantir o juramento, Deus levou Abraão a cortar vários animais ao meio. Para selar um pacto no Antigo Oriente, quem fazia a promessa passava pelo corpo dividido do animal, oferecendo-se para ter o mesmo destino se quebrasse sua palavra.
Depois que o sol se pôs e veio a escuridão, eis que um foga-reiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os pedaços dos animais. Naquele dia o SENHOR fez a seguinte aliança com Abrão:" Aos seus descendentes dei esta terra, desde o ribeiro do Egito até o grande rio, o Eufrates" (Gênesis 15:17,18).
Deus leva a sério as promessas e as sela de maneira drástica. Considere o caso de Oséias. Setecentos anos antes do nascimento de Jesus, Deus ordenou que Oséias se casasse com uma prostituta chamada Gômer. (Se a profissão dela não causasse suficiente impacto, seu nome causaria.) Todavia, Oséias obedeceu. Gômer deu à luz três filhos, sendo que nenhum deles era de Oséias. Gômer abandonou Oséias para levar uma vida igual à de uma garota de programa em uma casa noturna. O fundo do poço chegou na forma de um leilão, em que homens faziam lances para comprá-la como escrava. Homens de menor envergadura acenavam para ela dando-lhe a entender que podia ir embora. Não Oséias. Ele fez os lances, comprou sua esposa e levou-a novamente para casa. Por quê? Aqui está a explicação de Oséias.
O SENHOR me disse: "Vá. trate novamente com amor sua mulher, apesar de ela ser amada por outro e ser adúltera. Ame-a como o SENHOR ama os israelitas, apesar de eles se voltarem para outros deuses e de amarem os bolos sagrados de uvas passas".
Por isso eu a comprei por 180 gramas de prata e um barril e meio de cevada (Oséias 3:1,2).
Você precisa de uma descrição do nosso Deus que cumpre promessas? Olhe para Oséias comprando de volta a esposa. Olhe para a panela quente passando pelos animais. Olhe para o arco-íris. Olhe para Mefibosete. Você nunca se apresentou como Mefibosete, de Lo-Debar, mas poderia. Você se lembra dos detalhes da desgraça dele? Ele...
§ nasceu como herdeiro legítimo do trono;
§ foi vitimado por uma queda;
§ foi deixado, impossibilitado de andar, em uma cidade estranha;
§ lá vivia sob a ameaça de morte.
Essa é a sua história! Você não nasceu como um filho do Rei? Você não ficou manco por causa do tropeço de Adão e Eva? Quem, entre nós, não perambulou pela areia seca de Lo-Debar?
Mas então veio o mensageiro do palácio. Um professor da quarta série, um amigo do colégio, uma tia, um pregador da televisão. Eles vieram com uma grande notícia e uma limusine que estava à nossa espera.
— Você não vai acreditar nisso — anunciaram — mas o rei de Israel tem um lugar à mesa para você. O cartão que indica seu lugar à mesa está impresso e a cadeira está vazia. Ele o quer na família.
Por quê? Por causa do seu QI? Deus não precisa de nenhum conselho.
O dinheiro de sua aposentadoria? Não vale um tostão para Deus.
Suas habilidades na empresa? É claro! O arquiteto de órbitas precisa de sua opinião.
Sinto muito, Mefibosete. O convite não tem nada a ver com você e tem tudo a ver com Deus.
Sua vida eterna é conseqüência do pacto, garantida pelo pacto e baseada no pacto.
Ele fez a promessa de que lhe daria a vida eterna: "[a] esperança da vida eterna, a qual o Deus que não mente prometeu antes dos tempos eternos" (Tito 1:2).
Sua vida eterna é conseqüência do pacto, garantida pelo pacto e baseada no pacto. Você pode olhar para Lo-Debar pelo espelho retrovisor por uma razão — Deus cumpre suas promessas. O fato de Deus cumprir promessas não deveria inspirá-lo a fazer o mesmo?
O céu sabe que você poderia se valer de certa inspiração. As pessoas podem cansá-lo. E há momentos em que tudo o que podemos fazer não é suficiente. Quando um cônjuge opta por sair de casa, não podemos forçá-lo a ficar.
Ao amar aquele que não ama, você tem um vislumbre daquilo que Deus faz por você.
Quando um cônjuge comete um abuso, não devemos continuar. O que há de melhor no amor pode não ser correspondido. Não pretendo, em nenhum momento, minimizar os desafios que alguns de vocês enfrentam.Você está cansado. Você está irritado. Você está desapontado. Este não é o casamento que você esperava ou a vida que queria. Mas lá no seu passado está uma promessa que você fez. Posso incentivá-lo a fazer todo o possível para cumpri-la? Para fazer mais uma tentativa?
Por que você deveria? Para que possa entender a profundidade do amor de Deus.
Ao amar aquele que não ama, você tem um vislumbre daquilo que Deus faz por você. Ao deixar a luz da frente acesa para o filho pródigo, ao fazer o que é certo mesmo tendo feito o errado, ao amar o fraco e o doente, você faz o que Deus faz a cada instante. Cumprir o pacto é sua inscrição na escola de pós-graduação de Deus. Quando você ama os mentirosos, os trapaceiros e os que partem seu coração, você não está fazendo o que Deus fez por nós? Preste atenção em suas brigas e tome nota. Deus o convida a entender o amor dele.
Ele também quer que você o demonstre.
Davi fez isso com Mefibosete. Davi era uma parábola ambulante da lealdade de Deus. Oséias fez o mesmo com Gômer. Ele vestiu-se da devoção divina. Minha mãe fez isso com meu pai. Lembro-me de vê-la cuidando dele em seus últimos meses. A esclerose lateral amiotrófica (ELA) sugou a vida de cada músculo de seu corpo. Ela fez por ele o que mães fazem por seus bebês. Ela deu-lhe banho, alimentou-o e vestiu-o. Pôs uma cama de hospital na sala de nossa casa e cumpriu sua missão com ele. Se ela se queixou, nunca ouvi. Se franziu as sobrancelhas, nunca vi. O que ouvi e vi foi uma mulher cumprindo um pacto. "É isso que o amor faz" — era o que suas ações anunciavam quando ela passava-lhe talco, fazia sua barba e lavava seus lençóis. Ela exemplificou o poder de uma promessa cumprida.
Deus pede que você faça o mesmo. Demonstre o amor resistente. Encarne a fidelidade. Deus está lhe dando uma chance do tamanho da de Mefibosete para mostrar para seus filhos e seus vizinhos o que o verdadeiro amor faz.
Abrace-o. Quem sabe? Alguém pode contar sua história de lealdade para ilustrar a lealdade de Deus?
Uma última reflexão. Você lembra-se do retrato de família no palácio de Davi? Duvido que Davi tivesse um. Mas acho que o céu poderia ter. Não será maravilhoso ver seu rosto no retrato? Dividindo a moldura com gente como Moisés e Marta, Pedro e Paulo... lá estarão você e Mefibosete.
Ele não vai querer ser o único arreganhando os dentes.
VERSÍCULOS DO DIA!!!
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
DEVOCIONAL - Max Luccado - Derrotando Golias - Capítulo 1414. Duras promessas
Postado por Bárbara Helena
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