15. O máximo em arrogância
Você pode subir muito para seu próprio bem. E possível subir alto demais, ficar alto demais e alçar alto demais.
Fique muito tempo em altas altitudes e dois de seus sentidos vão sofrer. Você perde a audição. E difícil ouvir pessoas quando se está mais alto que elas.
Você pode subir muito para seu próprio bem.
As vozes ficam distantes. As frases parecem abafadas. E, quando se está lá em cima, sua vista embaça. É difícil focalizar as pessoas quando se está muito acima delas. Elas parecem tão pequenas... Pequenos vultos sem rosto. Você mal consegue distinguir umas das outras. Todas elas parecem iguais.
Você não as ouve. Você não as vê. Você está acima delas.
É exatamente aí que Davi está. Ele nunca esteve mais alto. A onda de seu sucesso chega ao auge quando ele tem 50 anos. Israel está se expandindo. A nação está prosperando. Em duas décadas no trono, ele distinguiu-se como guerreiro, músico, estadista e rei. Seu ministério é forte e suas fronteiras cobrem mais de 95.000 quilômetros quadrados. Não há derrotas no campo de batalha. Não há manchas em sua administração. Davi é amado pelo povo; servido pelos soldados; seguido pelas multidões. Davi está lá no alto o tempo todo.
Que contraste com o modo como o encontramos pela primeira vez no vale de Elá: ajoelhando-se à beira do ribeiro, procurando por cinco pedras lisas! Todos os outros estavam em pé. Os soldados estavam em pé. Golias estava em pé. Seus irmãos estavam em pé. Os outros estavam no alto; Davi estava abaixado, de barriga para baixo, na parte mais baixa do vale. Nunca esteve tão baixo, contudo nunca esteve tão forte.
Três décadas depois sua situação se inverteu. Nunca esteve tão alto, ao mesmo tempo nunca esteve mais fraco. Davi chega ao ponto mais alto de sua vida, na posição mais alta do reino, no lugar mais importante da cidade — no terraço que dava vista para Jerusalém.
Ele deveria estar com seus homens, na batalha, com um pé no cavalo e o outro no encalço de seu inimigo. Mas ele não estava. Ele estava em casa.
Na primavera, época em que os reis saíam para a guerra, Davi enviou para a batalha Joabe com seus oficiais e todo o exército de Israel; e eles derrotaram os amonitas e cercaram Rabá. Mas Davi permaneceu em Jerusalém (2 Samuel 11:1).
É primavera em Israel. As noites são quentes e o ar está perfumado. Davi tem o tempo nas mãos, o amor na cabeça e as pessoas à sua disposição.
Seus olhos caem sobre uma mulher enquanto ela está no banho. Sempre teremos curiosidade para saber se Bate-Seba estava tomando banho em um lugar onde não deveria estar, esperando que Davi olhasse para onde não deveria olhar. Nunca saberemos. Contudo, sabemos que ele olha e gosta do que vê. Por isso ele pergunta sobre ela. Um servo volta com a seguinte informação: "É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o hitita" (11:3).
O servo passa a informação com uma advertência. Ele não só dá o nome da mulher, mas seu estado civil e o nome de seu marido. Por que dizer a Davi que ela é casada senão para preveni-lo? E por que dar o nome do marido uma vez que Davi não estava familiarizado com ele?
É provável que Davi conhecesse Urias. O servo espera, com jeito, dissuadir o rei de suas pretensões. Mas Davi não entende a dica. O versículo seguinte descreve o primeiro passo de Davi em uma ladeira cheia de óleo."Davi mandou que a trouxessem, e se deitou com ela" (11:4).
Davi "manda" muitas vezes nessa história. Ele envia Joabe para a batalha (v.1). Ele envia um servo para procurar saber coisas sobre Bate-Seba (v. 3). Ele manda que tragam Bate-Seba até ele (v. 4). Quando fica sabendo da gravidez de Bate-Seba, Davi manda um recado para Joabe (v. 6) para que ele envie Urias para Jerusalém. Davi manda Urias descansar em casa com Bate-Seba, mas Urias é nobre demais. Davi opta por mandar Urias novamente para a batalha em uma posição em que certamente será morto. Pensando que sua tentativa para encobrir a verdade está completa, Davi manda que tragam Bate-Seba e se casa com ela (v. 27).
Não gostamos deste Davi que envia, que exige. Preferimos o Davi que pastoreia, que cuida do rebanho; o Davi que lança com força, que se esconde de Saul; o Davi que adora, que escreve salmos. Não estamos preparados para o Davi que perde o domínio de seu autocontrole.
O que aconteceu com ele? Simples! E o mal da altitude. Ele estava lá no alto havia muito tempo. O ar rarefeito mexeu com seus sentidos. Ele não pode ouvir como estava acostumado. Não pode ouvir as advertências do servo ou a voz de sua consciência. Nem pode ouvir seu Senhor. O pico ensurdeceu seus ouvidos e cegou seus olhos. Davi viu Bate-Seba? Não. Ele viu Bate-Seba tomando banho.
Fique muito tempo em altas altitudes e dois de seus sentidos vão sofrer.
Viu o corpo de Bate-Seba e as curvas de Bate-Seba. Viu Bate-Seba como uma conquista. Mas viu Bate-Seba como ser humano? A esposa de Urias? A filha de Israel? A criação de Deus? Não. Davi perdeu sua visão. Tempo demais no topo da montanha fará isso com você. Horas demais sob o sol brilhante e no ar rarefeito o deixará ofegante e atordoado.
Sem dúvida, quem entre nós poderia subir tão alto quanto Davi? Quem entre nós está a um estalar de dedos de um encontro com alguém que escolhemos? Presidentes e reis podem mandar pessoas cumprirem suas ordens; temos sorte de poder pedir que alguém nos traga comida chinesa. Não temos esse tipo de influência.
Podemos entender outros conflitos de Davi. Seu medo de Saul. Longos períodos de tempo escondendo-se no deserto. Estivemos lá. Mas o importante e poderoso Davi? O terraço de Davi é um lugar onde nunca estivemos.
Ou estivemos?
Não estive em um terraço, mas em um vôo. E não vi uma mulher no banho, mas uma comissária de bordo dando bola fora o tempo todo. Ela não conseguia fazer nada certo. Pediam soda e ela trazia suco. Pediam um travesseiro e ela trazia um cobertor — isso quando de fato trazia alguma coisa.
E comecei a resmungar. Não em voz alta, mas em meus pensamentos. O que há com o serviço nesses dias? Acho que estava ficando um pouco convencido. Havia acabado de dar uma palestra em um evento. As pessoas haviam dito como estavam felizes por me verem ali. Não sei o que era mais louco: o fato de elas dizerem isso ou o fato de eu acreditar nisso. Assim entrei no avião me sentindo o tal. Tive de inclinar a cabeça para passar pela porta. Tomei meu assento sabendo que o vôo era seguro, já que os céus sabem que sou essencial para a obra de Deus.
Então pedi o refrigerante, o travesseiro... Ela mencionou os serviços e eu murmurei. Vê o que eu estava fazendo? Colocando-me acima da comissária de bordo. Na hierarquia social do avião, ela estava abaixo de mim. Sua função era servir e a minha era ser servido.
Não olhe para mim assim. Você já não se sentiu um pouco superior a alguém? Ao manobrista do estacionamento; ao balconista da quitanda; ao vendedor de amendoim na peleja; ao funcionário de casaco xadrez? Você já fez o que fiz. E você já fez o que Davi fez. Perdemos nossa visão e nossa audição.
Quando olhei para a comissária de bordo, não vi um ser humano; vi uma comodidade necessária. Mas sua pergunta mudou tudo.
— Sr. Lucado?
Imagine minha surpresa quando a comissária de bordo se ajoelhou do lado de meu assento.
— É o senhor que escreve os livros cristãos?
Livros cristãos, sim. Pensamentos cristãos — essa é uma outra questão, eu disse para mim mesmo, descendo as escadas do terraço.
— Posso falar com o senhor? — ela perguntou. Seus olhos encheram-se de lágrimas, seu coração abriu-se e ela usou os três ou quatro minutos seguintes para falar de sua dor. A papelada do divórcio havia chegado naquela manhã. Seu marido não ligava de volta para ela. Ela não sabia onde iria morar. Mal podia concentrar-se no trabalho. Eu poderia orar por ela?
Orei. Mas tanto Deus como eu sabíamos que ela não era a única que estava precisando de oração.
Talvez você pudesse usar uma oração também. Como está a sua audição? Você ouve os servos que Deus envia? Você ouve a consciência que Deus desperta?
E sua visão? Você ainda vê pessoas? Ou vê apenas suas funções? Vê pessoas que precisam de você ou vê pessoas abaixo de você?
A história de Davi e Bate-Seba é mais uma história de poder do que uma história de luxúria. Uma história de um homem que subiu alto demais para seu próprio bem. Um homem que precisava ouvir essas palavras: "Desça antes que você caia".
"O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda" (Provérbios 16:18).
Deve ser por isso que Deus odeia a arrogância. Ele detesta ver seus filhos caírem; detesta ver seus Davis seduzirem e suas Bate-Sebas serem vitimadas.
Davi e Bate-Seba: é mais uma história de poder do que uma história de luxúria.
Deus odeia o que o orgulho faz com seus filhos. Não é que ele não goste da arrogância. Ele a odeia. Ele poderia deixar isso mais claro do que Provérbios 8:13: "Odeio o orgulho e a arrogância"? E depois, alguns capítulos mais adiante: "O SENHOR detesta os orgulhosos de coração. Sem dúvida serão punidos" (16:5).
Você não quer que Deus faça isso. Pergunte para Davi. Ele nunca se recuperou totalmente desse episódio com esse gigante. Não cometa o erro de Davi. E muito mais sábio descer a montanha do que cair dela.
Busque humildade. Humildade não significa pensar coisas inferiores sobre si mesmo, mas pensar menos em si mesmo. "Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu" (Romanos 12:3).
Humildade não significa pensar coisas inferiores
Aceite sua pobreza. Todos somos igualmente duros e abençoados. "O homem sai nu do ventre de sua mãe e, como vem, assim vai" (Eclesiastes 5:15).
Resista ao lugar de notoriedade. "[Quando você for convidado,] ocupe o lugar menos importante, de forma que, quando vier aquele que o convidou, diga-lhe:'Amigo, passe para um lugar mais importante'. Então você será honrado na presença de todos os convidados" (Lucas 14:10).
Não é melhor ser convidado a subir do que a descer?
Deus tem um remédio para os altivos e poderosos: descer da montanha. Você se surpreenderá com o que você ouve e com quem você vê. E irá respirar com muito mais facilidade.
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quarta-feira, 30 de agosto de 2017
DEVOCIONAL - Max Luccado - Derrubando Golias - Cap 15
Postado por Bárbara Helena
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