16. Quedas gigantescas
O que o Vaticano dará pelo nome do papa? Rogers Cadenhead procurou uma resposta. Com a morte do papa João Paulo, este auto-intitulado "colecionador de domínios" registrou o domínio www.BenedictXVI.com antes de o nome do novo papa ser anunciado. Cadenhead garantiu-o antes que Roma percebesse que precisava dele.
O nome do domínio certo pode mostrar-se lucrativo. Outro nome, PopeBenedictXVI.com, ultrapassou a casa dos 16 mil dólares na E-bay, empresa de comércio eletrônico. Cadenhead, no entanto, não queria dinheiro. Como católico, ele estava feliz pelo fato de a igreja reconhecer o nome.
— Vou tentar e evitar irritar 1,1 bilhão de católicos e minha avó — brincou.
Entretanto, ele gostaria de algo em troca. Em troca, Cadenhead procurava:
1. "um daqueles chapéus";
2. "uma estadia gratuita no hotel do Vaticano";
3. "total absolvição, sem perguntas, para a terceira semana de março de 1987".1
Você está curioso para saber o que aconteceu naquela semana, não está? Talvez ela o faça se lembrar de uma semana em que aconteceu algo com você. A maioria de nós tem uma ou mais semanas.
Um verão cheio de loucuras, um mês fora da rotina, os dias ficaram uma loucura. Se existisse uma caixa de fitas documentando cada segundo de sua vida, quais fitas você queimaria? Você tem uma época em que cedeu ao desejo, bebeu ou fumou?
O rei Davi teve. Uma queda poderia ser pior do que a dele? Ele seduz e engravida Bate-Seba, assassina seu marido e engana seu general e soldados. Depois ele se casa com ela. Ela tem o filho.
A verdade parece estar totalmente coberta. O observador descuidado não detecta nenhuma razão para preocupação. Davi tem uma nova esposa e uma vida feliz. Tudo parece bem no trono. Mas nem tudo está bem no coração de Davi. Ele, mais tarde, descreverá esse período de pecado encoberto em termos explícitos:
Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer.
Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; minhas forças foram-se esgotando como em tempo de seca (Salmo 32:3,4).
A alma de Davi lembra um olmo do Canadá no inverno. Estéril. Frustrada. Envolta em tristeza. Sua harpa está pendurada, sem cordas. Sua esperança hiberna. O sujeito é um desastre ambulante. Sua "terceira semana de março" persegue-o como uma matilha de lobos. Ele não consegue escapar. Por quê? Porque Deus continua a trazê-la à tona.
Com essas palavras o narrador introduz um novo personagem ao drama de Davi e Bate-Seba: Deus. Até aqui ele não aparecia no texto, não havia sido mencionado na história.
Davi seduz — não há menção de Deus. Davi conspira — não há menção de Deus. Urias enterrado, Bate-Seba casada — não há menção de Deus. Não se fala com Deus e Deus não fala. A primeira metade do versículo 27 atrai o leitor para um falso final feliz: Bate-Seba "se tornou sua mulher e teve um filho dele". Eles decoram o quarto do bebê e escolhem nomes tirados de uma revista. Nove meses se passam. Um menino nasce. E concluímos: Davi escapa de um tiro. Anjos jogam essa história na pasta etiquetada: "Meninos são assim". Deus faz vista grossa. Contudo, quando pensamos que é assim e Davi espera que seja... Alguém sai de trás da cortina e ocupa o centro do palco. "O que Davi fez desagradou ao SENHOR."
Deus não mais ficará em silêncio. O nome não mencionado até o último versículo do capítulo 11 domina o capítulo 12. Davi, "o que manda", fica sentado enquanto Deus assume o comando.
Deus envia Natã a Davi. Natã é um profeta, um pregador, uma espécie de capelão da Casa Branca. O homem merece uma medalha por ir até o rei. Ele sabe o que aconteceu com Urias. Davi matou um soldado inocente... O que fará com um pregador que chega para confrontá-lo?
Mesmo assim, Natã vai. Em vez de revelar o ato, ele conta a história de um homem pobre que tinha uma ovelha. Davi faz a ligação no mesmo instante. Ele apascentava rebanhos antes de liderar pessoas. Ele conhece a pobreza. Era o filho caçula de uma família tão pobre que não tinha como contratar um pastor. Natã conta para Davi como o pobre pastor amava sua ovelha — segurando-a em seu colo, alimentando-a do próprio prato. Ela era tudo o que ele tinha.
Enquanto a história segue, entra em cena o idiota rico. Um viajante passa em sua mansão, e ele prepara-lhe uma refeição. Em vez de matar uma ovelha de seu próprio rebanho, o rico manda seus seguranças roubarem o animal do pobre. Eles invadem sua propriedade, apanham a cordeira e fazem o churrasco.
Ao ouvir aquilo, os pêlos do pescoço de Davi arrepiam-se. Ele agarra os braços do trono. Dá um veredicto antes do julgamento: o peixe mordeu a isca ao anoitecer. "O homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia" (12:5,6).
Oh, Davi! Você nunca viu isso acontecer, não é? Você nunca viu Natã erguendo a forca e jogando a corda por cima da viga. Você nunca o viu amarrar suas mãos nas costas, fazê-lo subir a escada e vigiá-lo ao passar pelo alçapão. Só quando ele apertou o nó em torno do seu pescoço foi que você engoliu seco. Só quando Natã apertou a corda dizendo estas quatro palavras:
"Você é esse homem!" (12:7).
Davi fica pálido; o nó de sua garganta salta. Uma gota de suor forma-se em sua testa. Ele revolve-se em sua cadeira. Não tenta se defender.
Não dá uma resposta.Não diz nada.Deus, no entanto, está apenas coçando a garganta. Por meio de Natã, ele declara:
Eu o ungi rei de Israel e o livrei das mãos de Saul. Dei-lhe a casa e as mulheres do seu senhor. Dei-lhe a nação de Israel e Judá. E, se tudo isso não fosse suficiente, eu lhe teria dado mais ainda. Por que você desprezou a palavra do SENHOR, fazendo o que ele reprova? Você matou Urias, o hitita, com a espada dos amonitas e ficou com a mulher dele (12:7-9).
As palavras de Deus refletem dor, não ódio; espanto, não desdém. Seu rebanho enche as colinas. Por que roubar? A beleza enche seu palácio. Por que tirá-la de outra pessoa? Por que o rico roubaria? Davi não tem desculpa.
Por isso Deus dá uma sentença.
Por isso, a espada nunca se afastará de sua família, pois você me desprezou e tomou a mulher de Urias, o hitita, para ser sua mulher.
Assim diz o SENHOR: "De sua própria família trarei desgraça entre você. Tomarei as suas mulheres diante dos seus próprios olhos e as darei a outro; e ele se deitará com elas em plena luz do dia. Você fez isso às escondidas, mas eu o farei diante de todo o Israel, em plena luz do dia" (12:10-12).
Desse dia em diante, confusão e tragédia marcam a família de Davi. Até a criança, fruto desse adultério, morrerá (12:18). Ela tem de morrer. As nações vizinhas agora questionam a santidade do Deus de Davi. Davi manchou a reputação de Deus, manchou a honra de Deus. E Deus, que zelosamente preserva sua glória, castiga o pecado público de Davi de uma forma pública. A criança perece. O rei de Israel descobre a dura verdade de Números 32:33: "... estejam certos de que vocês não escaparão do pecado cometido".
Você já descobriu essa verdade? Sua inflexível semana de março de 1987 o persegue? Contamina-o? Quedas gigantescas não nos deixarão em paz. Elas vêm à tona como um furúnculo sobre a pele.
Deus consegue se sentar, sem tomar nenhuma atitude, enquanto o pecado envenena o seu filho?
Meu irmão teve um, certa vez. Em seus tempos de ensino fundamental, ele teve um caso de furúnculo. Um pus terrível apareceu-lhe na nuca como um minúsculo vulcão em atividade. Minha mãe, enfermeira, sabia do que o furúnculo precisava — ser bem espremido. Dois dedos, todas as manhãs. Quanto mais ela apertava, mais ele gritava. Mas ela não parou até que o carnicão estourou.
Puxa, Max, obrigado pela bela cena!
Perdão por eu ser tão descritivo, mas preciso enfatizar esse ponto. Se você pensa que minha mãe era dura, experimente as mãos de Deus. Pecados não confessados se acomodam em nosso coração como furúnculos inflamados, envenenando, espalhando-se. E Deus, com dedos delicados, é quem aperta:
O caminho do infiel é áspero (Provérbios 13:15).
Quem cultiva o mal e semeia maldade, isso também colherá (Jó 4:8).
Deus tira seu sono, sua paz. Tira seu descanso. Quer saber por quê? Porque ele quer levar seu pecado. Uma mãe consegue ficar impassível enquanto substâncias venenosas invadem o corpo de seu filho? Deus consegue se sentar, sem tomar nenhuma atitude, enquanto o pecado envenena o seu? Ele não descansará até que laçamos o que Davi fez: confessemos nossa falha. "Então Davi disse a Natã:'Pequei contra o SENHOR!'. E Natã respondeu:'O SENHOR perdoou o seu pecado. Você não morrerá'" (2 Samuel 12:13).
Deus não descansará até que façamos o que Davi fez: confessemos nossa falha.
Interessante. Davi sentenciou à morte o ladrão da ovelha imaginário. Deus é muito misericordioso. Ele pôs de lado o pecado de Davi. Em vez de encobri-lo, ele o revelou e o pôs de lado. "Como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o SENHOR tem compaixão dos que o temem" (Salmo 103:12,13).
Encontre seu erro antes do julgamento de Deus. Deixe-o condená-lo, deixe-o perdoá-lo e abandone seu erro.
Davi levou um ano. Foi preciso uma gravidez inesperada, a morte de um soldado, a persuasão de um pregador, a sondagem e a pressão de Deus, mas o coração duro de Davi finalmente amoleceu e ele confessou: "Pequei contra o SENHOR!" (2 Samuel 12:13).
E Deus fez com o pecado de Davi o que ele faz com o seu e com o meu — deixou-o de lado.
É tempo de você pôr fim à sua "terceira semana de março de 1987". Faça uma reunião com três pessoas: você, Deus e sua memória. Coloque o erro diante do tribunal de Deus. Deixe que ele o condene, que ele o perdoe e que ele o ponha de lado.
Ele o fará. E você não precisa ter o nome do papa para que ele faça isso.
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sexta-feira, 1 de setembro de 2017
DEVOCIONAL - Desafiando Gigantes - Max Luccado - Capítulo 16
Postado por Bárbara Helena
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